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HISTÓRICO E CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROGRAMA

Publicado: Segunda, 28 de Dezembro de 2020, 20h44 | Última atualização em Segunda, 28 de Dezembro de 2020, 20h48 | Acessos: 323

A criação do Programa de Pós Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia em 1998, o seu credenciamento em 2002 pela CAPES como Mestrado Acadêmico (Portaria MEC 524, DOU 30/04/2008 - Parecer CES/CNE 33/2008, 29/04/2008), e sua institucionalização nestes vinte e um anos de atividades permanentes de formação de pesquisadores, em nível de Mestrado e, e de Doutorado desde 2008 (Portaria Nº87-DOU de 18/01/2008-Parecer 277/2007-pp. 30 a 33, 17/01/2008), apresentaram ao Instituto de Ciências Humanas e Letras, à Universidade Federal do Amazonas, às instituições universitárias do Estado do Amazonas e da região Norte uma oportunidade de constituir a Amazônia como foco de atenção e à interação do pensamento científico dos centros de pesquisa da região com outros centros de inteligência do Brasil.

O PPGSCA assume uma perspectiva interdisciplinar assentada na área de concentração em processos socioculturais na Amazônia, o que sugere um diálogo científico com várias áreas do conhecimento, no âmbito da pesquisa e da formação de pessoas (recursos humanos). A proposta pedagógica, inicialmente, teve por base norteadora cinco linhas de pesquisa que posteriormente ficaram concentradas em três linhas. Dentre o arco de assuntos que subscrevem a proposta consta a relação entre natureza, sociedade e cultura na Amazônia, formação da sociedade regional, sua constituição intercultural e interétnica (povos, culturas e nacionalidades); sua historicidade no contexto continental da Pan-Amazônia, espaços e territórios, linguagem abordagens artísticas e outras manifestações simbólicas; relações de poder, Estado, políticas públicas dentre outras.

Ao configurar a região como núcleo de articulação do interesse das pesquisas na grande área de humanidades, e ao constituir-se como foco interdisciplinar da construção de temáticas inesgotáveis do pensamento científico sobre a Amazônia, a criação e o desenvolvimento do PPGSCA permitiu a introjeção de um desafio permanente aos seus pesquisadores, com vistas a dar conta de vários planos de inquietação expressas em suas linhas de pesquisa. Esta inquietação pode ser percebida como uma tarefa coletiva posta ao conhecimento sob a forma de um projeto interdisciplinar em que os pesquisadores formados na e para a região buscam interagir com outras leituras e interpretações da Amazônia, visando a reconstrução de itinerários intelectuais do pensamento científico a partir de diferentes sujeitos epistêmicos.

Por meio da organização de modos de recrutamento de legitimidade crescente na sociedade local e regional, o PPGSCA veio a afirmar-se como campo de diálogo das disciplinas das ciências humanas e sociais entre si, entre as instituições universitárias e as agendas de pesquisas locais, entre outros programas de pós-graduação interdisciplinares e disciplinares da UFAM e ainda entre outras Universidades da região Norte, seja sob a forma direta de formação de recursos humanos para o ensino e a pesquisa, seja sob a forma ampliada de qualificar uma inteligibilidade da Amazônia a partir dela própria.

O desafio de origem da criação do Programa PPGSCA reitera-se e renova-se a cada ano ao longo do desenvolvimento de sua intervenção acadêmica, em vários planos em que se realiza. Na dimensão interna de sua inserção no sistema de pós-graduação superintendido pela CAPES, é um deles; na relação entre a sua institucionalização e a sociedade regional é outro plano em que o PPGSCA é permanentemente suscitado; e, ainda, no contexto de problemas em que a região Norte é inserida de modo precário e descontínuo na história institucional da organização científica brasileira.

É possível identificar os obstáculos que incidem sobre as formas de cooperação com outros centros nacionais e internacionais e sobre a difusão permanente e qualificada dos processos e resultados dessas experiências educacionais; não é o caso de detalhá-los no âmbito desta avaliação. Mas é vital que se afirme: é difícil produzir, publicar e difundir o conhecimento científico na Amazônia. O PPGSCA sobreviveu ao longo de vinte e um anos em meio a essas adversidades em um processo de busca de interlocução, de aprimoramento de sua interdisciplinaridade, de reconhecimento de sua legitimidade científica. É imperioso que a avaliação do quadriênio 2017-2020 considere a resiliência do Programa em um ambiente intelectual adverso como um indicador de sustentabilidade de sua institucionalização na política de pós-graduação brasileira.

É possível destacar, nesse processo, que a dimensão integradora com a qual o PPGSCA construiu a interdisciplinaridade de sua atuação acadêmica, permitiu a interação de vários ambientes intelectuais disciplinares, em estreita colaboração de olhares, abordagens, construções e reconstruções metodológicas do inventário científico realizado historicamente, de abordagens contemporâneas do pensamento científico sobre a região, de cenários e impactos, da imaginação prospectiva, e de uma abordagem compreensiva interdisciplinar sobre a multiplicidade de interpretações e explicações científicas acerca da Amazônia.

É conveniente esclarecer que os fundamentos explicativos da interdisciplinaridade proposta pelo PPGSCA acompanham a evolução do programa e a sua ampliação interna e externa para outro nível de titulação acadêmica, no caso para o Doutorado; e, ainda, acompanham as relações de parceria com outra instituição universitária, por meio do MINTER com a Universidade Federal de Roraima. Além desse fato, a interiorização do Programa por meio da criação de extensões do PPGSCA com turmas de mestrado e de doutorado para professores da UFAM que trabalham no Centro Universitário de Benjamim Constant, na Tríplice Fronteira, (Brasil, Peru, Colômbia), sediado no município de Benjamim Constant, constitui-se em um marco importante da posição do Programa com a experiência de formação fora da sede, com o propósito de ampliar o alcance do foco das pesquisas na Amazônia, diversificando a abordagem de temas e problemas de investigação, além de praticar um serviço de importância estratégica para os recursos humanos da UFAM.

O período de expansão do Programa que vai de 2012 a 2016 marca, efetivamente, o compromisso com os povos tradicionais da Amazônia e seu desenvolvimento social dentro do plano de pós-graduação traçado pelas três linhas de pesquisa do PPGSCA. A expansão do PPGSCA em dois municípios do Amazonas, Parintins e Benjamin Constant, tem também impacto na formação de recursos humanos para a educação básica não indígena e para a educação de nível superior. No caso de Benjamin Constant foram titulados quatro doutores em 2016, e em 2017, três, pertencentes aos quadros docentes da Universidade Federal do Amazonas, em Benjamin Constant, localizado na mesma fronteira, e um pertencente ao quadro da Universidade do Estado do Amazonas, sem contar as titulações de mestrado ocorridas em Benjamin Constant. Em Parintins foram titulados cinco doutores em 2017 e 2018 e vários em nível de mestrado, em 2017.

A expansão do Programa na região do Baixo Amazonas, município de Parintins, localizado no limite da fronteira com o estado do Pará, representou também um ganho para o conhecimento, sobretudo no que diz respeito à cultura popular em suas expressões de boi de arena, musicalidade e expressão corporal de rua. Isto somado a outros temas como as relações de poder e de trabalho, as expressões quilombolas e a demarcação de suas terras, dentre outros temas. A propósito da demarcação das terras quilombolas deve- se reconhecer a participação do projeto Nova Cartografia Social, vinculado a este Programa, que tem elaborado Pareceres e Inventários de impacto antropológico, oferecidos ao Estado brasileiro, para tomada de decisão, tal como foi o caso da Base de Alcântara, no Maranhão, Hidrelétrica Jirau, em Rondônia, e as terras quilombolas com as ações da Nova Cartografia Social.

Esses estudos consignados nas teses e dissertações contribuem, enormemente, para tornar visíveis as problemáticas sociais da Amazônia, colocando em evidência não só os estados de pobreza e não acesso aos bens e serviços, mas também chamando a atenção para os processos de violência simbólica e esfacelamento de grupos indígenas ou de famílias indígenas, largamente mencionadas pelos cronistas e viajantes e atualmente pelas ONGS e mídias. Os resultados são divulgados em eventos científicos vinculados ao Programa e conduzidos pelos grupos de pesquisa de seus docentes. Aqui damos destaque para o seminário Internacional em Sociedade e Cultura na Pan-Amazônia, bianual e qualisado pela Capes, com a primeira edição em 2014, a segunda em 2016 e a terceira em 2018. Os resultados qualitativos dos dois primeiros seminários permitem-nos dizer que este evento se tornou parte das discussões promovidas no âmbito da pós-graduação interdisciplinar da área de humanidades. Possui uma vertente internacional que permite estabelecermos uma dialogação com pesquisadores de alguns países para além da Pan- Amazônia.

Face à expansão do PPGSCA tornou-se necessário credenciar novos docentes, o que foi concluído em 2014, tendo por base a análise de currículo, mediante parecer ad hoc, com submissão e aprovação do colegiado do Programa. Foram credenciados dez professores permanentes. Isto resultou na melhor distribuição de orientações em nível de mestrado, ofertas de disciplinas com temáticas diversificadas no âmbito dos processos socioculturais da Amazônia, ampliação das publicações e projetos de pesquisa financiados, dentre outras questões. Nosso quadro de professores colaboradores foi adensado por três colegas oriundos da PUC/SP, COPPE/UFRJ e USP que não só orientam alunos como também ministram aulas e fazem pesquisa conjunta. A pesquisa intitulada Trabalho, Inovação e Desenvolvimento é desenvolvida no âmbito do PPGSCA em conjunto com a COPPE/UFRJ, dentro do projeto CAPES/COFECLIB-702/11, com início em 2013 e término em 2015. Esta pesquisa estruturou o intercâmbio com uma universidade estrangeira, especificamente, com a Universitè Lumière Lyon 2, na França, que resultou diretamente na realização de dois Estágios Bolsa Sanduíche por parte de doutorandos do PPGSCA e um de cada programa PPGCAS/UFAM, e indiretamente influenciou a realização de um outro Estágio Bolsa Sanduíche de doutorando do PPGSCA e de um Estágio Pós- Doutoral de uma docente do Programa. Obtivemos no âmbito deste intercâmbio de pesquisa a defesa de tese do doutorando José Fernandes Barros, em regime de co-tutelle, em 2017, a partir da Convenção firmada entre a Universidade Federal do Amazonas (Brasil) e a Universitè Lumière Lyon 2 (França).

Outro fato que merece destaque no período de 2016 e 2017 são as atividades de pesquisa realizadas em países da Pan Amazônia (Venezuela e Colômbia), em países da América Central (Cuba e Nicarágua) no âmbito do projeto do PPGSCA denominado Cartografia Social: um síntese das experiências, desenvolvido pela rede de pesquisadores vinculados ao projeto guarda-chuva denominado Nova Cartografia Social da Amazônia. Essas atividades envolvem dois doutorandos, uma de naturalidade norte-americana e o outro brasileiro.

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